Redação ITACER

Compartilhe

Itacer visita SENAI Mario Amato: conhecimento aplicado para transformar a construção civil

Em abril, estivemos no SENAI Mario Amato, em São Bernardo do Campo, para fortalecer uma convicção que orienta a nossa atuação: conhecimento aplicado transforma a construção civil. A visita foi um momento de troca, aprendizado e aproximação com profissionais e futuros talentos que terão papel fundamental na evolução da nossa indústria.

Para nós, estar em um ambiente de formação técnica como o SENAI é uma oportunidade de conectar inovação, prática profissional e desenvolvimento do setor. A construção civil avança quando indústria, educação e tecnologia caminham juntas, criando condições para obras mais eficientes, sustentáveis e alinhadas às novas exigências do mercado.

Quem somos e o que defendemos

Somos o ITACER — Instituto Tecnológico de Alvenaria Cerâmica Racional. Atuamos para desenvolver, pesquisar e compartilhar conhecimentos e tecnologias voltados à alvenaria cerâmica racional, com foco na melhoria dos processos construtivos, na qualidade das soluções aplicadas em obra e na valorização da capacitação técnica.

Nossa missão vai além de promover produtos cerâmicos. Trabalhamos para contribuir com uma construção civil mais precisa, produtiva e sustentável, apoiando a disseminação de boas práticas e incentivando o uso de sistemas que elevem o padrão técnico das obras. Acreditamos que a racionalização da alvenaria cerâmica é um caminho importante para reduzir desperdícios, melhorar o desempenho das construções e aumentar a eficiência no canteiro.

Como instituto formado pela união de importantes fornecedores do setor cerâmico no estado de São Paulo, buscamos ser uma ponte entre fabricantes, profissionais, projetistas, construtoras, instituições de ensino e demais agentes da cadeia produtiva. Essa integração é essencial para que o conhecimento técnico chegue a quem projeta, especifica, executa e transforma a construção civil todos os dias.


Nosso compromisso

Como isso se traduz na prática

Conhecimento técnico

Compartilhamos informações e boas práticas sobre alvenaria cerâmica racional.

Inovação

Incentivamos soluções construtivas mais eficientes, padronizadas e inteligentes.

Qualidade

Defendemos processos e produtos com desempenho, precisão e confiabilidade.

Sustentabilidade

Valorizamos a redução de perdas, o uso racional de materiais e a diminuição de resíduos.

Capacitação

Aproximamos o setor produtivo de espaços de formação profissional e desenvolvimento técnico.


O SENAI Mario Amato é uma referência na formação profissional e tecnológica em São Bernardo do Campo. A unidade está inserida em uma instituição historicamente ligada ao desenvolvimento da indústria, à preparação de mão de obra qualificada e à atualização constante das competências exigidas pelo setor produtivo.

Durante a visita, tivemos a oportunidade de reforçar o valor da aproximação entre quem desenvolve soluções para a construção civil e quem forma os profissionais que irão aplicá-las. Esse diálogo é essencial, porque a evolução tecnológica só gera impacto real quando chega ao campo da prática, da execução e da tomada de decisão técnica.

No contexto da construção civil, essa relação se torna ainda mais importante. Materiais, sistemas e métodos construtivos precisam ser compreendidos em profundidade para que entreguem todo o seu potencial. Por isso, acreditamos que ambientes de ensino, laboratórios, visitas técnicas e conversas com profissionais em formação são parte fundamental da transformação do setor.

Alvenaria cerâmica racional e o futuro da construção

A alvenaria cerâmica racional representa uma forma mais planejada, técnica e eficiente de construir. Quando aplicada corretamente, ela contribui para a padronização dos processos, a melhoria da produtividade, a redução de perdas e a otimização do uso de materiais.

Em nossa atuação, destacamos especialmente o potencial dos blocos cerâmicos de furo vertical, que favorecem uma execução mais precisa e racionalizada. Entre os benefícios associados a essa solução estão a redução de desperdícios, a diminuição da geração de entulho, o menor consumo de argamassa e armaduras, além de ganhos de produtividade e organização no canteiro de obras.

Esses resultados, no entanto, dependem de conhecimento. Não basta que a tecnologia esteja disponível; é preciso que profissionais, estudantes, instrutores, projetistas e equipes de obra compreendam suas aplicações, seus diferenciais e os cuidados necessários para obter o melhor desempenho. É nesse ponto que a integração com instituições como o SENAI se torna decisiva.

Quando aproximamos tecnologia e educação profissional, criamos um caminho mais consistente para transformar conhecimento em obra bem executada, produtividade em resultado e inovação em valor para toda a cadeia da construção.

Uma visita marcada por troca, aprendizado e alinhamento

Nossa passagem pelo SENAI Mario Amato foi marcada por um sentimento de colaboração. Estivemos diante de profissionais e futuros talentos que compartilham conosco o compromisso de elevar o nível técnico da construção civil. Foi uma oportunidade para reforçar a importância da qualificação, da atualização constante e da aplicação correta das soluções construtivas.

Acreditamos que encontros como esse ampliam a visão sobre o papel da indústria na formação profissional. Mais do que apresentar tecnologias, é necessário construir pontes, ouvir demandas, compreender desafios e contribuir para que o conhecimento circule de forma clara e acessível.

Também foi um momento para reafirmar nossa responsabilidade como instituto: fomentar a evolução da alvenaria cerâmica racional, apoiar práticas mais sustentáveis e incentivar a formação de profissionais preparados para os desafios atuais e futuros da construção.

Seguimos construindo conhecimento junto ao setor

Nossa visita ao SENAI Mario Amato reforça o caminho que escolhemos seguir. Queremos estar cada vez mais próximos de instituições de ensino, profissionais, empresas e parceiros que acreditam na força do conhecimento técnico como instrumento de transformação.

A construção civil precisa de inovação, mas também precisa de pessoas capacitadas para aplicar essa inovação com qualidade. Por isso, continuaremos promovendo o diálogo entre tecnologia, educação e indústria, sempre com o objetivo de contribuir para obras mais eficientes, sustentáveis e inteligentes.

Seguimos firmes no nosso propósito: desenvolver, compartilhar e aplicar conhecimento para elevar o padrão da alvenaria cerâmica racional e transformar a construção civil brasileira.


Postagens relacionadas

Alvenaria Estrutural Cerâmica: Como Funciona e Quando Usar

Na alvenaria estrutural cerâmica, as paredes não servem apenas para fechar os ambientes: elas participam da estrutura e conduzem cargas até a fundação. Isso permite reduzir ou eliminar pilares e vigas convencionais em diversas configurações, mas exige uma mudança importante de lógica: arquitetura, estrutura, modulação, instalações, materiais e execução precisam ser pensados como um único sistema desde o início.

Como a parede passa a ter função estrutural

O bloco cerâmico estrutural é produzido e classificado para uso em alvenaria estrutural. Assentado com argamassa e combinado com graute e armaduras quando o projeto determina, ele integra paredes que recebem e distribuem ações da edificação. O dimensionamento não depende apenas da peça individual, mas do comportamento da alvenaria e da organização das paredes em planta e em altura.

Quais são os principais componentes do sistema

  • Blocos cerâmicos estruturais da família especificada.

  • Argamassa de assentamento compatível com o projeto e o procedimento executivo.

  • Graute nos pontos previstos para preenchimento de células e reforços.

  • Armaduras quando o dimensionamento ou o detalhamento exigir.

  • Canaletas e peças complementares para vergas, cintas, encontros e ajustes de modulação.

  • Projeto de paginação e detalhes executivos que indiquem posição e sequência dos componentes.

O que define a capacidade da alvenaria estrutural cerâmica

O número de pavimentos possível depende das ações consideradas, da resistência da alvenaria, da geometria e espessura das paredes, das aberturas, da esbeltez, da distribuição das paredes resistentes, das ações de vento, dos detalhes de apoio e de outros parâmetros do projeto. É por isso que blocos com resistências maiores podem ampliar possibilidades, mas não substituem o cálculo do edifício.

Modulação: por que o projeto precisa começar antes da obra

A modulação coordena as dimensões dos ambientes e vãos com a família de blocos e a espessura das juntas. Uma boa paginação mostra quais peças entram em cada fiada, como os encontros serão resolvidos e onde ficam canaletas, pontos de graute e detalhes especiais. Isso transforma o canteiro em execução de uma solução definida, em vez de um local para resolver incompatibilidades.

Instalações precisam conversar com a estrutura

Em paredes estruturais, cortes e rasgos improvisados podem comprometer o que foi calculado. Instalações elétricas e hidráulicas devem ser compatibilizadas com furos, shafts e rotas previstas em projeto. A lógica racionalizada é decidir antes onde cada sistema passa, reduzindo intervenções posteriores na parede.

Graute e armadura: reforço onde o projeto pede

O graute pode preencher células e envolver armaduras em regiões específicas. Esses pontos podem estar relacionados a reforços, bordas de aberturas, encontros ou outras necessidades do dimensionamento. O detalhamento deve indicar onde, como e com quais materiais executar. Não é recomendável transformar o grauteamento em uma regra genérica desconectada do projeto.

Quando o sistema costuma ser interessante

A alvenaria estrutural cerâmica é especialmente atraente quando o empreendimento pode se beneficiar de integração entre estrutura e vedação, repetibilidade de detalhes, planejamento de materiais e redução de etapas. Mas ela não está restrita a grandes conjuntos repetitivos. Projetos menores também podem usar o sistema quando arquitetura e estrutura forem concebidas de forma compatível.

Cinco condições para o sistema entregar resultado

  1. Projeto concebido para alvenaria estrutural desde o início, e não adaptado tardiamente.

  2. Família de blocos e componentes adequada à modulação e às resistências especificadas.

  3. Compatibilização entre arquitetura, estrutura, instalações e detalhes de vãos.

  4. Mão de obra treinada para ler paginação e executar juntas, amarrações, graute e controles previstos.

  5. Controle de recebimento e execução capaz de garantir que o que foi projetado é o que está sendo construído.

Alvenaria estrutural cerâmica limita a arquitetura?

Ela impõe regras de modulação e continuidade das paredes resistentes, mas isso não significa que todos os edifícios precisem ser iguais. A flexibilidade vem do projeto entender o módulo e trabalhar dentro dele. Famílias de componentes e coordenação dimensional permitem criar diferentes layouts sem abandonar a racionalização. O nível de liberdade depende do conceito estrutural e deve ser discutido desde as primeiras decisões arquitetônicas.

Como começar um projeto com menos risco de retrabalho

  1. Defina o sistema estrutural antes de congelar a arquitetura.

  2. Escolha a família de blocos e o módulo de coordenação.

  3. Compatibilize vãos, encontros e instalações.

  4. Detalhe paginações e componentes especiais.

  5. Planeje logística, armazenamento e abastecimento das frentes.

  6. Defina critérios de recebimento, rastreabilidade e controle de execução.

  7. Mantenha projetista e responsável pela obra conectados para tratar desvios antes de improvisar.

Conclusão

A alvenaria estrutural cerâmica funciona melhor quando é tratada como sistema de engenharia, e não como simples substituição de materiais. O potencial de produtividade, previsibilidade e desempenho nasce da combinação entre projeto, componente adequado, compatibilização e controle de execução.


Fontes técnicas

CBIC, publicação das normas NBR 16868: https://cbic.org.br/novas-normas-de-alvenaria-estrutural-corrigem-antiga-distorcao/

NBR 15270, requisitos de componentes cerâmicos: https://buscadorsinapi.com.br/normas/nbr-15270-1-componentes-ceramicos-blocos-e-tijolos-para-alvenaria-parte-1-requisitos

ANICER, Manual de Desempenho da Cerâmica Vermelha: https://www.anicer.com.br/

Cerâmica Industrial, estudo de blocos cerâmicos para alvenaria estrutural: https://www.ceramicaindustrial.org.br/article/doi/10.4322/cerind.2024.046l.

Ler mais

Bloco Cerâmico ou Bloco de Concreto? Como Comparar Corretamente

A pergunta “bloco cerâmico ou bloco de concreto?” parece simples, mas frequentemente compara coisas diferentes. Um bloco estrutural não deve ser comparado com um bloco de vedação como se tivessem a mesma função. Da mesma forma, preço por unidade não informa custo da parede pronta. A comparação técnica precisa colocar sistemas equivalentes lado a lado e considerar projeto, logística, produtividade, desempenho e disponibilidade local.

Primeiro: compare paredes com a mesma função

Antes de discutir material, defina se a parede é estrutural ou de vedação. Em ambos os materiais existem soluções para funções distintas. Misturar função estrutural e vedação na mesma comparação distorce resistência, peso, custo e produtividade.

Sete perguntas para uma comparação útil

  1. A solução atende à função da parede e ao projeto estrutural ou de vedação?

  2. A família de componentes permite resolver modulação, encontros, vãos e detalhes sem cortes excessivos?

  3. Qual é o peso do sistema e como isso afeta transporte, movimentação, estrutura e fundação no projeto específico?

  4. Quais resultados de desempenho térmico, acústico, mecânico e de resistência ao fogo estão comprovados para o sistema de parede analisado?

  5. Como ficam instalações elétricas e hidráulicas: há peças e soluções compatíveis ou o canteiro dependerá de rasgos e adaptações?

  6. Qual é a disponibilidade regional do fabricante, da família de peças e da assistência técnica?

  7. Qual é o custo total da parede pronta, incluindo material, argamassa, mão de obra, perdas, movimentação, revestimentos, reforços, instalações e retrabalho?

Peso: por que o número isolado não resolve

Blocos cerâmicos podem ser mais leves em determinadas geometrias, enquanto blocos de concreto podem ter massas e resistências diferentes conforme a família. O impacto real não deve ser calculado apenas por peça. O projetista precisa analisar o peso da parede e sua participação no edifício, além das condições de transporte e movimentação no canteiro.

Desempenho térmico e acústico: compare sistemas ensaiados

É comum encontrar comparativos que atribuem desempenho térmico ou acústico ao material de forma absoluta. Na prática, o resultado depende da geometria do componente, espessura da parede, revestimentos, juntas, encontros e execução. Para uma decisão técnica, procure resultados de sistemas equivalentes e critérios da NBR 15575 quando aplicáveis ao desempenho da edificação.

Produtividade: o projeto pode valer mais que o material isolado

Uma família bem modulada, com paginação definida, componentes complementares e instalações compatibilizadas pode reduzir cortes, esperas e retrabalhos. Isso vale para diferentes sistemas. No caso da alvenaria cerâmica racionalizada, o potencial de produtividade aparece quando o bloco faz parte de um processo planejado, e não quando é simplesmente substituído peça a peça em um projeto concebido para outra solução.

Custo: compare a parede pronta

O menor preço por bloco não garante o menor custo por metro quadrado concluído. O orçamento precisa incorporar quantidade de peças, argamassa, graute e armaduras quando previstos, mão de obra, transporte, perdas, equipamentos, revestimentos, detalhes de vãos e interferências de instalações. Em projetos repetitivos, o efeito do planejamento pode se multiplicar; em obras pequenas, disponibilidade local e simplicidade logística podem pesar mais.

Sustentabilidade: evite comparar apenas um indicador

Carbono incorporado, consumo de água, energia de fabricação, transporte, perdas e desempenho na fase de uso podem fazer parte da avaliação ambiental. A melhor comparação é aquela que declara o escopo e as fontes. Dados de uma fábrica, de um produto ou de uma declaração ambiental não devem ser generalizados para todo o setor sem explicar o contexto.

Quando a alvenaria cerâmica racionalizada tende a fazer sentido

Ela ganha força quando o projeto pode trabalhar com modulação, família de componentes, compatibilização de instalações e controle de execução. Também se beneficia de fornecedores próximos, variedade de peças e equipe treinada.

A decisão correta é sistêmica

Bloco cerâmico e bloco de concreto podem participar de soluções tecnicamente adequadas. A decisão deve partir dos requisitos do empreendimento e chegar ao custo e desempenho da parede como sistema. Quando a comparação começa pelo preço da peça, ela ignora justamente o que mais afeta a obra: projeto, interfaces e execução.

Fontes técnicas

ANICER, conteúdo e manual de desempenho da cerâmica vermelha: https://www.anicer.com.br/

Pauluzzi, biblioteca técnica e sistemas de alvenaria: https://pauluzzi.com.br/

NBR 15270, requisitos de blocos e tijolos cerâmicos: https://buscadorsinapi.com.br/normas/nbr-15270-1-componentes-ceramicos-blocos-e-tijolos-para-alvenaria-parte-1-requisitos

Ler mais

Bloco cerâmico de furo vertical: tipos, usos e critérios para escolher corretamente

Entenda os tipos de bloco cerâmico de furo vertical, as diferenças entre vedação e estrutura e os critérios de projeto para especificar corretamente.

O bloco cerâmico de furo vertical não é uma única peça nem serve para uma única função. Existem componentes de vedação e componentes estruturais, geometrias diferentes e famílias de peças pensadas para trabalhar com modulação, encontros de paredes, vãos, instalações e reforços previstos em projeto. Por isso, escolher corretamente começa pela função da parede e pelo sistema construtivo, e não apenas pela aparência do bloco.

O que significa “furo vertical”

A expressão descreve a orientação dos vazados quando o componente está assentado na posição de uso. Essa geometria pode facilitar a coordenação modular e, em soluções compatíveis, permitir a passagem de instalações ou a execução de pontos grauteados e armados previstos pelo projeto. Mas a orientação dos furos, sozinha, não transforma qualquer bloco em bloco estrutural.

A classificação do produto, suas dimensões, propriedades físicas e mecânicas e os métodos de ensaio aplicáveis precisam estar de acordo com a especificação do empreendimento. A NBR 15270 trata dos requisitos e ensaios dos blocos e tijolos cerâmicos para alvenaria, enquanto a NBR 16868 organiza os critérios de projeto, execução, controle e ensaios da alvenaria estrutural.

Bloco de vedação com furo vertical e bloco estrutural não são a mesma coisa

Uma parede de vedação tem a função principal de fechar e separar ambientes. Ela precisa resistir às ações previstas para o sistema de vedação, mas não assume as cargas estruturais principais do edifício. Já na alvenaria estrutural, a parede participa do caminho das cargas e precisa ser dimensionada como parte da estrutura.

Regra simples para compras e obra: não substitua um bloco por outro apenas porque as dimensões externas parecem semelhantes. A função prevista no projeto, a família do componente e a documentação do produto precisam coincidir.

Seis critérios para especificar o bloco correto

  1. Confirme a função da parede. Antes de escolher o componente, defina se a parede é estrutural ou de vedação e quais ações o projeto considera.

  2. Confira a modulação. Largura, altura, comprimento e espessura das juntas precisam conversar com a paginação, os vãos e os encontros de paredes.

  3. Verifique a resistência e as propriedades exigidas. No caso estrutural, a resistência do bloco é um dado de entrada do projeto, não uma promessa isolada de desempenho da parede inteira.

  4. Olhe para a família de componentes. Meio bloco, peças de amarração, canaletas e outros elementos complementares podem evitar cortes e improvisos quando previstos corretamente.

  5. Compatibilize instalações. A posição de eletrodutos, tubulações, shafts e pontos de passagem deve ser resolvida antes da execução para reduzir rasgos e retrabalhos.

  6. Exija documentação e rastreabilidade. Identificação do produto, fabricante, lote, ficha técnica e comprovações previstas pelo empreendimento precisam chegar junto com a peça.

Por que a família de blocos importa tanto quanto o bloco principal

Uma obra racionalizada não se resolve escolhendo apenas a peça que ocupa a maior área da parede. Encontros, amarrações, vergas, contravergas, cintas e ajustes de modulação precisam de soluções compatíveis. Quando o projeto trabalha com uma família coerente, a equipe recebe instruções mais claras, o abastecimento do pavimento fica previsível e diminui a necessidade de “inventar” peças no canteiro.

Furo vertical significa melhor desempenho térmico e acústico?

Não é tecnicamente seguro responder apenas olhando para o formato dos vazados. O desempenho térmico e acústico pertence ao sistema de parede, que envolve geometria, espessura, revestimentos, juntas, encontros, execução e condições de ensaio. O caminho correto é consultar resultados de sistemas testados e a documentação técnica correspondente, em vez de transformar uma característica geométrica em promessa universal.

Erros que tiram a racionalização do papel

  • Comprar uma família diferente da que foi modulada no projeto.

  • Cortar blocos em obra para corrigir cotas que deveriam ter sido resolvidas na paginação.

  • Rasgar paredes para instalações que poderiam ter sido compatibilizadas antes.

  • Trocar componente estrutural por outro sem validação do projetista.

  • Aprovar um lote apenas pela aparência, sem verificar identificação, dimensões e documentação.

  • Generalizar desempenho térmico, acústico ou estrutural a partir de uma peça isolada.

Como transformar a escolha do bloco em uma decisão de projeto

O melhor momento para decidir a família de blocos é antes de o canteiro depender dela. Arquitetura, estrutura, instalações, paginação e abastecimento precisam conversar. Quando isso acontece, o componente deixa de ser apenas material de compra e passa a fazer parte de um processo construtivo planejado.

Para quem está especificando ou executando, a pergunta mais útil não é “qual bloco é melhor?”. A pergunta é: qual família atende à função da parede, à modulação, aos requisitos do projeto e às condições reais de fornecimento e execução?


Fontes técnicas

NBR 15270, requisitos e ensaios de componentes cerâmicos: https://buscadorsinapi.com.br/normas/nbr-15270-componentes-ceramicos-blocos-e-tijolos-para-alvenaria-parte-1-requisitos

CBIC, publicação da NBR 16868: https://cbic.org.br/novas-normas-de-alvenaria-estrutural-corrigem-antiga-distorcao/

Manual e conteúdos de desempenho da ANICER: https://www.anicer.com.br/

Ler mais

@2026 Itacer. Todos os direitos reservados

Av. Corporação Musical União dos Artistas, 110 - Terras de São José.
CEP: 13306-430
Caixa Postal: 98 - Itu/SP

Redação ITACER

Compartilhe

Itacer visita SENAI Mario Amato: conhecimento aplicado para transformar a construção civil

Em abril, estivemos no SENAI Mario Amato, em São Bernardo do Campo, para fortalecer uma convicção que orienta a nossa atuação: conhecimento aplicado transforma a construção civil. A visita foi um momento de troca, aprendizado e aproximação com profissionais e futuros talentos que terão papel fundamental na evolução da nossa indústria.

Para nós, estar em um ambiente de formação técnica como o SENAI é uma oportunidade de conectar inovação, prática profissional e desenvolvimento do setor. A construção civil avança quando indústria, educação e tecnologia caminham juntas, criando condições para obras mais eficientes, sustentáveis e alinhadas às novas exigências do mercado.

Quem somos e o que defendemos

Somos o ITACER — Instituto Tecnológico de Alvenaria Cerâmica Racional. Atuamos para desenvolver, pesquisar e compartilhar conhecimentos e tecnologias voltados à alvenaria cerâmica racional, com foco na melhoria dos processos construtivos, na qualidade das soluções aplicadas em obra e na valorização da capacitação técnica.

Nossa missão vai além de promover produtos cerâmicos. Trabalhamos para contribuir com uma construção civil mais precisa, produtiva e sustentável, apoiando a disseminação de boas práticas e incentivando o uso de sistemas que elevem o padrão técnico das obras. Acreditamos que a racionalização da alvenaria cerâmica é um caminho importante para reduzir desperdícios, melhorar o desempenho das construções e aumentar a eficiência no canteiro.

Como instituto formado pela união de importantes fornecedores do setor cerâmico no estado de São Paulo, buscamos ser uma ponte entre fabricantes, profissionais, projetistas, construtoras, instituições de ensino e demais agentes da cadeia produtiva. Essa integração é essencial para que o conhecimento técnico chegue a quem projeta, especifica, executa e transforma a construção civil todos os dias.


Nosso compromisso

Como isso se traduz na prática

Conhecimento técnico

Compartilhamos informações e boas práticas sobre alvenaria cerâmica racional.

Inovação

Incentivamos soluções construtivas mais eficientes, padronizadas e inteligentes.

Qualidade

Defendemos processos e produtos com desempenho, precisão e confiabilidade.

Sustentabilidade

Valorizamos a redução de perdas, o uso racional de materiais e a diminuição de resíduos.

Capacitação

Aproximamos o setor produtivo de espaços de formação profissional e desenvolvimento técnico.


O SENAI Mario Amato é uma referência na formação profissional e tecnológica em São Bernardo do Campo. A unidade está inserida em uma instituição historicamente ligada ao desenvolvimento da indústria, à preparação de mão de obra qualificada e à atualização constante das competências exigidas pelo setor produtivo.

Durante a visita, tivemos a oportunidade de reforçar o valor da aproximação entre quem desenvolve soluções para a construção civil e quem forma os profissionais que irão aplicá-las. Esse diálogo é essencial, porque a evolução tecnológica só gera impacto real quando chega ao campo da prática, da execução e da tomada de decisão técnica.

No contexto da construção civil, essa relação se torna ainda mais importante. Materiais, sistemas e métodos construtivos precisam ser compreendidos em profundidade para que entreguem todo o seu potencial. Por isso, acreditamos que ambientes de ensino, laboratórios, visitas técnicas e conversas com profissionais em formação são parte fundamental da transformação do setor.

Alvenaria cerâmica racional e o futuro da construção

A alvenaria cerâmica racional representa uma forma mais planejada, técnica e eficiente de construir. Quando aplicada corretamente, ela contribui para a padronização dos processos, a melhoria da produtividade, a redução de perdas e a otimização do uso de materiais.

Em nossa atuação, destacamos especialmente o potencial dos blocos cerâmicos de furo vertical, que favorecem uma execução mais precisa e racionalizada. Entre os benefícios associados a essa solução estão a redução de desperdícios, a diminuição da geração de entulho, o menor consumo de argamassa e armaduras, além de ganhos de produtividade e organização no canteiro de obras.

Esses resultados, no entanto, dependem de conhecimento. Não basta que a tecnologia esteja disponível; é preciso que profissionais, estudantes, instrutores, projetistas e equipes de obra compreendam suas aplicações, seus diferenciais e os cuidados necessários para obter o melhor desempenho. É nesse ponto que a integração com instituições como o SENAI se torna decisiva.

Quando aproximamos tecnologia e educação profissional, criamos um caminho mais consistente para transformar conhecimento em obra bem executada, produtividade em resultado e inovação em valor para toda a cadeia da construção.

Uma visita marcada por troca, aprendizado e alinhamento

Nossa passagem pelo SENAI Mario Amato foi marcada por um sentimento de colaboração. Estivemos diante de profissionais e futuros talentos que compartilham conosco o compromisso de elevar o nível técnico da construção civil. Foi uma oportunidade para reforçar a importância da qualificação, da atualização constante e da aplicação correta das soluções construtivas.

Acreditamos que encontros como esse ampliam a visão sobre o papel da indústria na formação profissional. Mais do que apresentar tecnologias, é necessário construir pontes, ouvir demandas, compreender desafios e contribuir para que o conhecimento circule de forma clara e acessível.

Também foi um momento para reafirmar nossa responsabilidade como instituto: fomentar a evolução da alvenaria cerâmica racional, apoiar práticas mais sustentáveis e incentivar a formação de profissionais preparados para os desafios atuais e futuros da construção.

Seguimos construindo conhecimento junto ao setor

Nossa visita ao SENAI Mario Amato reforça o caminho que escolhemos seguir. Queremos estar cada vez mais próximos de instituições de ensino, profissionais, empresas e parceiros que acreditam na força do conhecimento técnico como instrumento de transformação.

A construção civil precisa de inovação, mas também precisa de pessoas capacitadas para aplicar essa inovação com qualidade. Por isso, continuaremos promovendo o diálogo entre tecnologia, educação e indústria, sempre com o objetivo de contribuir para obras mais eficientes, sustentáveis e inteligentes.

Seguimos firmes no nosso propósito: desenvolver, compartilhar e aplicar conhecimento para elevar o padrão da alvenaria cerâmica racional e transformar a construção civil brasileira.


Postagens relacionadas

Alvenaria Estrutural Cerâmica: Como Funciona e Quando Usar

Na alvenaria estrutural cerâmica, as paredes não servem apenas para fechar os ambientes: elas participam da estrutura e conduzem cargas até a fundação. Isso permite reduzir ou eliminar pilares e vigas convencionais em diversas configurações, mas exige uma mudança importante de lógica: arquitetura, estrutura, modulação, instalações, materiais e execução precisam ser pensados como um único sistema desde o início.

Como a parede passa a ter função estrutural

O bloco cerâmico estrutural é produzido e classificado para uso em alvenaria estrutural. Assentado com argamassa e combinado com graute e armaduras quando o projeto determina, ele integra paredes que recebem e distribuem ações da edificação. O dimensionamento não depende apenas da peça individual, mas do comportamento da alvenaria e da organização das paredes em planta e em altura.

Quais são os principais componentes do sistema

  • Blocos cerâmicos estruturais da família especificada.

  • Argamassa de assentamento compatível com o projeto e o procedimento executivo.

  • Graute nos pontos previstos para preenchimento de células e reforços.

  • Armaduras quando o dimensionamento ou o detalhamento exigir.

  • Canaletas e peças complementares para vergas, cintas, encontros e ajustes de modulação.

  • Projeto de paginação e detalhes executivos que indiquem posição e sequência dos componentes.

O que define a capacidade da alvenaria estrutural cerâmica

O número de pavimentos possível depende das ações consideradas, da resistência da alvenaria, da geometria e espessura das paredes, das aberturas, da esbeltez, da distribuição das paredes resistentes, das ações de vento, dos detalhes de apoio e de outros parâmetros do projeto. É por isso que blocos com resistências maiores podem ampliar possibilidades, mas não substituem o cálculo do edifício.

Modulação: por que o projeto precisa começar antes da obra

A modulação coordena as dimensões dos ambientes e vãos com a família de blocos e a espessura das juntas. Uma boa paginação mostra quais peças entram em cada fiada, como os encontros serão resolvidos e onde ficam canaletas, pontos de graute e detalhes especiais. Isso transforma o canteiro em execução de uma solução definida, em vez de um local para resolver incompatibilidades.

Instalações precisam conversar com a estrutura

Em paredes estruturais, cortes e rasgos improvisados podem comprometer o que foi calculado. Instalações elétricas e hidráulicas devem ser compatibilizadas com furos, shafts e rotas previstas em projeto. A lógica racionalizada é decidir antes onde cada sistema passa, reduzindo intervenções posteriores na parede.

Graute e armadura: reforço onde o projeto pede

O graute pode preencher células e envolver armaduras em regiões específicas. Esses pontos podem estar relacionados a reforços, bordas de aberturas, encontros ou outras necessidades do dimensionamento. O detalhamento deve indicar onde, como e com quais materiais executar. Não é recomendável transformar o grauteamento em uma regra genérica desconectada do projeto.

Quando o sistema costuma ser interessante

A alvenaria estrutural cerâmica é especialmente atraente quando o empreendimento pode se beneficiar de integração entre estrutura e vedação, repetibilidade de detalhes, planejamento de materiais e redução de etapas. Mas ela não está restrita a grandes conjuntos repetitivos. Projetos menores também podem usar o sistema quando arquitetura e estrutura forem concebidas de forma compatível.

Cinco condições para o sistema entregar resultado

  1. Projeto concebido para alvenaria estrutural desde o início, e não adaptado tardiamente.

  2. Família de blocos e componentes adequada à modulação e às resistências especificadas.

  3. Compatibilização entre arquitetura, estrutura, instalações e detalhes de vãos.

  4. Mão de obra treinada para ler paginação e executar juntas, amarrações, graute e controles previstos.

  5. Controle de recebimento e execução capaz de garantir que o que foi projetado é o que está sendo construído.

Alvenaria estrutural cerâmica limita a arquitetura?

Ela impõe regras de modulação e continuidade das paredes resistentes, mas isso não significa que todos os edifícios precisem ser iguais. A flexibilidade vem do projeto entender o módulo e trabalhar dentro dele. Famílias de componentes e coordenação dimensional permitem criar diferentes layouts sem abandonar a racionalização. O nível de liberdade depende do conceito estrutural e deve ser discutido desde as primeiras decisões arquitetônicas.

Como começar um projeto com menos risco de retrabalho

  1. Defina o sistema estrutural antes de congelar a arquitetura.

  2. Escolha a família de blocos e o módulo de coordenação.

  3. Compatibilize vãos, encontros e instalações.

  4. Detalhe paginações e componentes especiais.

  5. Planeje logística, armazenamento e abastecimento das frentes.

  6. Defina critérios de recebimento, rastreabilidade e controle de execução.

  7. Mantenha projetista e responsável pela obra conectados para tratar desvios antes de improvisar.

Conclusão

A alvenaria estrutural cerâmica funciona melhor quando é tratada como sistema de engenharia, e não como simples substituição de materiais. O potencial de produtividade, previsibilidade e desempenho nasce da combinação entre projeto, componente adequado, compatibilização e controle de execução.


Fontes técnicas

CBIC, publicação das normas NBR 16868: https://cbic.org.br/novas-normas-de-alvenaria-estrutural-corrigem-antiga-distorcao/

NBR 15270, requisitos de componentes cerâmicos: https://buscadorsinapi.com.br/normas/nbr-15270-1-componentes-ceramicos-blocos-e-tijolos-para-alvenaria-parte-1-requisitos

ANICER, Manual de Desempenho da Cerâmica Vermelha: https://www.anicer.com.br/

Cerâmica Industrial, estudo de blocos cerâmicos para alvenaria estrutural: https://www.ceramicaindustrial.org.br/article/doi/10.4322/cerind.2024.046l.

Ler mais

Bloco Cerâmico ou Bloco de Concreto? Como Comparar Corretamente

A pergunta “bloco cerâmico ou bloco de concreto?” parece simples, mas frequentemente compara coisas diferentes. Um bloco estrutural não deve ser comparado com um bloco de vedação como se tivessem a mesma função. Da mesma forma, preço por unidade não informa custo da parede pronta. A comparação técnica precisa colocar sistemas equivalentes lado a lado e considerar projeto, logística, produtividade, desempenho e disponibilidade local.

Primeiro: compare paredes com a mesma função

Antes de discutir material, defina se a parede é estrutural ou de vedação. Em ambos os materiais existem soluções para funções distintas. Misturar função estrutural e vedação na mesma comparação distorce resistência, peso, custo e produtividade.

Sete perguntas para uma comparação útil

  1. A solução atende à função da parede e ao projeto estrutural ou de vedação?

  2. A família de componentes permite resolver modulação, encontros, vãos e detalhes sem cortes excessivos?

  3. Qual é o peso do sistema e como isso afeta transporte, movimentação, estrutura e fundação no projeto específico?

  4. Quais resultados de desempenho térmico, acústico, mecânico e de resistência ao fogo estão comprovados para o sistema de parede analisado?

  5. Como ficam instalações elétricas e hidráulicas: há peças e soluções compatíveis ou o canteiro dependerá de rasgos e adaptações?

  6. Qual é a disponibilidade regional do fabricante, da família de peças e da assistência técnica?

  7. Qual é o custo total da parede pronta, incluindo material, argamassa, mão de obra, perdas, movimentação, revestimentos, reforços, instalações e retrabalho?

Peso: por que o número isolado não resolve

Blocos cerâmicos podem ser mais leves em determinadas geometrias, enquanto blocos de concreto podem ter massas e resistências diferentes conforme a família. O impacto real não deve ser calculado apenas por peça. O projetista precisa analisar o peso da parede e sua participação no edifício, além das condições de transporte e movimentação no canteiro.

Desempenho térmico e acústico: compare sistemas ensaiados

É comum encontrar comparativos que atribuem desempenho térmico ou acústico ao material de forma absoluta. Na prática, o resultado depende da geometria do componente, espessura da parede, revestimentos, juntas, encontros e execução. Para uma decisão técnica, procure resultados de sistemas equivalentes e critérios da NBR 15575 quando aplicáveis ao desempenho da edificação.

Produtividade: o projeto pode valer mais que o material isolado

Uma família bem modulada, com paginação definida, componentes complementares e instalações compatibilizadas pode reduzir cortes, esperas e retrabalhos. Isso vale para diferentes sistemas. No caso da alvenaria cerâmica racionalizada, o potencial de produtividade aparece quando o bloco faz parte de um processo planejado, e não quando é simplesmente substituído peça a peça em um projeto concebido para outra solução.

Custo: compare a parede pronta

O menor preço por bloco não garante o menor custo por metro quadrado concluído. O orçamento precisa incorporar quantidade de peças, argamassa, graute e armaduras quando previstos, mão de obra, transporte, perdas, equipamentos, revestimentos, detalhes de vãos e interferências de instalações. Em projetos repetitivos, o efeito do planejamento pode se multiplicar; em obras pequenas, disponibilidade local e simplicidade logística podem pesar mais.

Sustentabilidade: evite comparar apenas um indicador

Carbono incorporado, consumo de água, energia de fabricação, transporte, perdas e desempenho na fase de uso podem fazer parte da avaliação ambiental. A melhor comparação é aquela que declara o escopo e as fontes. Dados de uma fábrica, de um produto ou de uma declaração ambiental não devem ser generalizados para todo o setor sem explicar o contexto.

Quando a alvenaria cerâmica racionalizada tende a fazer sentido

Ela ganha força quando o projeto pode trabalhar com modulação, família de componentes, compatibilização de instalações e controle de execução. Também se beneficia de fornecedores próximos, variedade de peças e equipe treinada.

A decisão correta é sistêmica

Bloco cerâmico e bloco de concreto podem participar de soluções tecnicamente adequadas. A decisão deve partir dos requisitos do empreendimento e chegar ao custo e desempenho da parede como sistema. Quando a comparação começa pelo preço da peça, ela ignora justamente o que mais afeta a obra: projeto, interfaces e execução.

Fontes técnicas

ANICER, conteúdo e manual de desempenho da cerâmica vermelha: https://www.anicer.com.br/

Pauluzzi, biblioteca técnica e sistemas de alvenaria: https://pauluzzi.com.br/

NBR 15270, requisitos de blocos e tijolos cerâmicos: https://buscadorsinapi.com.br/normas/nbr-15270-1-componentes-ceramicos-blocos-e-tijolos-para-alvenaria-parte-1-requisitos

Ler mais

@2026 Itacer. Todos os direitos reservados

Av. Corporação Musical União dos Artistas, 110 - Terras de São José.
CEP: 13306-430
Caixa Postal: 98 - Itu/SP

Redação ITACER

Compartilhe

Itacer visita SENAI Mario Amato: conhecimento aplicado para transformar a construção civil

Em abril, estivemos no SENAI Mario Amato, em São Bernardo do Campo, para fortalecer uma convicção que orienta a nossa atuação: conhecimento aplicado transforma a construção civil. A visita foi um momento de troca, aprendizado e aproximação com profissionais e futuros talentos que terão papel fundamental na evolução da nossa indústria.

Para nós, estar em um ambiente de formação técnica como o SENAI é uma oportunidade de conectar inovação, prática profissional e desenvolvimento do setor. A construção civil avança quando indústria, educação e tecnologia caminham juntas, criando condições para obras mais eficientes, sustentáveis e alinhadas às novas exigências do mercado.

Quem somos e o que defendemos

Somos o ITACER — Instituto Tecnológico de Alvenaria Cerâmica Racional. Atuamos para desenvolver, pesquisar e compartilhar conhecimentos e tecnologias voltados à alvenaria cerâmica racional, com foco na melhoria dos processos construtivos, na qualidade das soluções aplicadas em obra e na valorização da capacitação técnica.

Nossa missão vai além de promover produtos cerâmicos. Trabalhamos para contribuir com uma construção civil mais precisa, produtiva e sustentável, apoiando a disseminação de boas práticas e incentivando o uso de sistemas que elevem o padrão técnico das obras. Acreditamos que a racionalização da alvenaria cerâmica é um caminho importante para reduzir desperdícios, melhorar o desempenho das construções e aumentar a eficiência no canteiro.

Como instituto formado pela união de importantes fornecedores do setor cerâmico no estado de São Paulo, buscamos ser uma ponte entre fabricantes, profissionais, projetistas, construtoras, instituições de ensino e demais agentes da cadeia produtiva. Essa integração é essencial para que o conhecimento técnico chegue a quem projeta, especifica, executa e transforma a construção civil todos os dias.


Nosso compromisso

Como isso se traduz na prática

Conhecimento técnico

Compartilhamos informações e boas práticas sobre alvenaria cerâmica racional.

Inovação

Incentivamos soluções construtivas mais eficientes, padronizadas e inteligentes.

Qualidade

Defendemos processos e produtos com desempenho, precisão e confiabilidade.

Sustentabilidade

Valorizamos a redução de perdas, o uso racional de materiais e a diminuição de resíduos.

Capacitação

Aproximamos o setor produtivo de espaços de formação profissional e desenvolvimento técnico.


O SENAI Mario Amato é uma referência na formação profissional e tecnológica em São Bernardo do Campo. A unidade está inserida em uma instituição historicamente ligada ao desenvolvimento da indústria, à preparação de mão de obra qualificada e à atualização constante das competências exigidas pelo setor produtivo.

Durante a visita, tivemos a oportunidade de reforçar o valor da aproximação entre quem desenvolve soluções para a construção civil e quem forma os profissionais que irão aplicá-las. Esse diálogo é essencial, porque a evolução tecnológica só gera impacto real quando chega ao campo da prática, da execução e da tomada de decisão técnica.

No contexto da construção civil, essa relação se torna ainda mais importante. Materiais, sistemas e métodos construtivos precisam ser compreendidos em profundidade para que entreguem todo o seu potencial. Por isso, acreditamos que ambientes de ensino, laboratórios, visitas técnicas e conversas com profissionais em formação são parte fundamental da transformação do setor.

Alvenaria cerâmica racional e o futuro da construção

A alvenaria cerâmica racional representa uma forma mais planejada, técnica e eficiente de construir. Quando aplicada corretamente, ela contribui para a padronização dos processos, a melhoria da produtividade, a redução de perdas e a otimização do uso de materiais.

Em nossa atuação, destacamos especialmente o potencial dos blocos cerâmicos de furo vertical, que favorecem uma execução mais precisa e racionalizada. Entre os benefícios associados a essa solução estão a redução de desperdícios, a diminuição da geração de entulho, o menor consumo de argamassa e armaduras, além de ganhos de produtividade e organização no canteiro de obras.

Esses resultados, no entanto, dependem de conhecimento. Não basta que a tecnologia esteja disponível; é preciso que profissionais, estudantes, instrutores, projetistas e equipes de obra compreendam suas aplicações, seus diferenciais e os cuidados necessários para obter o melhor desempenho. É nesse ponto que a integração com instituições como o SENAI se torna decisiva.

Quando aproximamos tecnologia e educação profissional, criamos um caminho mais consistente para transformar conhecimento em obra bem executada, produtividade em resultado e inovação em valor para toda a cadeia da construção.

Uma visita marcada por troca, aprendizado e alinhamento

Nossa passagem pelo SENAI Mario Amato foi marcada por um sentimento de colaboração. Estivemos diante de profissionais e futuros talentos que compartilham conosco o compromisso de elevar o nível técnico da construção civil. Foi uma oportunidade para reforçar a importância da qualificação, da atualização constante e da aplicação correta das soluções construtivas.

Acreditamos que encontros como esse ampliam a visão sobre o papel da indústria na formação profissional. Mais do que apresentar tecnologias, é necessário construir pontes, ouvir demandas, compreender desafios e contribuir para que o conhecimento circule de forma clara e acessível.

Também foi um momento para reafirmar nossa responsabilidade como instituto: fomentar a evolução da alvenaria cerâmica racional, apoiar práticas mais sustentáveis e incentivar a formação de profissionais preparados para os desafios atuais e futuros da construção.

Seguimos construindo conhecimento junto ao setor

Nossa visita ao SENAI Mario Amato reforça o caminho que escolhemos seguir. Queremos estar cada vez mais próximos de instituições de ensino, profissionais, empresas e parceiros que acreditam na força do conhecimento técnico como instrumento de transformação.

A construção civil precisa de inovação, mas também precisa de pessoas capacitadas para aplicar essa inovação com qualidade. Por isso, continuaremos promovendo o diálogo entre tecnologia, educação e indústria, sempre com o objetivo de contribuir para obras mais eficientes, sustentáveis e inteligentes.

Seguimos firmes no nosso propósito: desenvolver, compartilhar e aplicar conhecimento para elevar o padrão da alvenaria cerâmica racional e transformar a construção civil brasileira.


@2025 Itacer. Todos os direitos reservados

Av. Corporação Musical União dos Artistas, 110 - Terras de São José.
CEP: 13306-430
Caixa Postal: 98 - Itu/SP

Postagens relacionadas

Alvenaria Estrutural Cerâmica: Como Funciona e Quando Usar

Na alvenaria estrutural cerâmica, as paredes não servem apenas para fechar os ambientes: elas participam da estrutura e conduzem cargas até a fundação. Isso permite reduzir ou eliminar pilares e vigas convencionais em diversas configurações, mas exige uma mudança importante de lógica: arquitetura, estrutura, modulação, instalações, materiais e execução precisam ser pensados como um único sistema desde o início.

Como a parede passa a ter função estrutural

O bloco cerâmico estrutural é produzido e classificado para uso em alvenaria estrutural. Assentado com argamassa e combinado com graute e armaduras quando o projeto determina, ele integra paredes que recebem e distribuem ações da edificação. O dimensionamento não depende apenas da peça individual, mas do comportamento da alvenaria e da organização das paredes em planta e em altura.

Quais são os principais componentes do sistema

  • Blocos cerâmicos estruturais da família especificada.

  • Argamassa de assentamento compatível com o projeto e o procedimento executivo.

  • Graute nos pontos previstos para preenchimento de células e reforços.

  • Armaduras quando o dimensionamento ou o detalhamento exigir.

  • Canaletas e peças complementares para vergas, cintas, encontros e ajustes de modulação.

  • Projeto de paginação e detalhes executivos que indiquem posição e sequência dos componentes.

O que define a capacidade da alvenaria estrutural cerâmica

O número de pavimentos possível depende das ações consideradas, da resistência da alvenaria, da geometria e espessura das paredes, das aberturas, da esbeltez, da distribuição das paredes resistentes, das ações de vento, dos detalhes de apoio e de outros parâmetros do projeto. É por isso que blocos com resistências maiores podem ampliar possibilidades, mas não substituem o cálculo do edifício.

Modulação: por que o projeto precisa começar antes da obra

A modulação coordena as dimensões dos ambientes e vãos com a família de blocos e a espessura das juntas. Uma boa paginação mostra quais peças entram em cada fiada, como os encontros serão resolvidos e onde ficam canaletas, pontos de graute e detalhes especiais. Isso transforma o canteiro em execução de uma solução definida, em vez de um local para resolver incompatibilidades.

Instalações precisam conversar com a estrutura

Em paredes estruturais, cortes e rasgos improvisados podem comprometer o que foi calculado. Instalações elétricas e hidráulicas devem ser compatibilizadas com furos, shafts e rotas previstas em projeto. A lógica racionalizada é decidir antes onde cada sistema passa, reduzindo intervenções posteriores na parede.

Graute e armadura: reforço onde o projeto pede

O graute pode preencher células e envolver armaduras em regiões específicas. Esses pontos podem estar relacionados a reforços, bordas de aberturas, encontros ou outras necessidades do dimensionamento. O detalhamento deve indicar onde, como e com quais materiais executar. Não é recomendável transformar o grauteamento em uma regra genérica desconectada do projeto.

Quando o sistema costuma ser interessante

A alvenaria estrutural cerâmica é especialmente atraente quando o empreendimento pode se beneficiar de integração entre estrutura e vedação, repetibilidade de detalhes, planejamento de materiais e redução de etapas. Mas ela não está restrita a grandes conjuntos repetitivos. Projetos menores também podem usar o sistema quando arquitetura e estrutura forem concebidas de forma compatível.

Cinco condições para o sistema entregar resultado

  1. Projeto concebido para alvenaria estrutural desde o início, e não adaptado tardiamente.

  2. Família de blocos e componentes adequada à modulação e às resistências especificadas.

  3. Compatibilização entre arquitetura, estrutura, instalações e detalhes de vãos.

  4. Mão de obra treinada para ler paginação e executar juntas, amarrações, graute e controles previstos.

  5. Controle de recebimento e execução capaz de garantir que o que foi projetado é o que está sendo construído.

Alvenaria estrutural cerâmica limita a arquitetura?

Ela impõe regras de modulação e continuidade das paredes resistentes, mas isso não significa que todos os edifícios precisem ser iguais. A flexibilidade vem do projeto entender o módulo e trabalhar dentro dele. Famílias de componentes e coordenação dimensional permitem criar diferentes layouts sem abandonar a racionalização. O nível de liberdade depende do conceito estrutural e deve ser discutido desde as primeiras decisões arquitetônicas.

Como começar um projeto com menos risco de retrabalho

  1. Defina o sistema estrutural antes de congelar a arquitetura.

  2. Escolha a família de blocos e o módulo de coordenação.

  3. Compatibilize vãos, encontros e instalações.

  4. Detalhe paginações e componentes especiais.

  5. Planeje logística, armazenamento e abastecimento das frentes.

  6. Defina critérios de recebimento, rastreabilidade e controle de execução.

  7. Mantenha projetista e responsável pela obra conectados para tratar desvios antes de improvisar.

Conclusão

A alvenaria estrutural cerâmica funciona melhor quando é tratada como sistema de engenharia, e não como simples substituição de materiais. O potencial de produtividade, previsibilidade e desempenho nasce da combinação entre projeto, componente adequado, compatibilização e controle de execução.


Fontes técnicas

CBIC, publicação das normas NBR 16868: https://cbic.org.br/novas-normas-de-alvenaria-estrutural-corrigem-antiga-distorcao/

NBR 15270, requisitos de componentes cerâmicos: https://buscadorsinapi.com.br/normas/nbr-15270-1-componentes-ceramicos-blocos-e-tijolos-para-alvenaria-parte-1-requisitos

ANICER, Manual de Desempenho da Cerâmica Vermelha: https://www.anicer.com.br/

Cerâmica Industrial, estudo de blocos cerâmicos para alvenaria estrutural: https://www.ceramicaindustrial.org.br/article/doi/10.4322/cerind.2024.046l.

Ler mais

Bloco Cerâmico ou Bloco de Concreto? Como Comparar Corretamente

A pergunta “bloco cerâmico ou bloco de concreto?” parece simples, mas frequentemente compara coisas diferentes. Um bloco estrutural não deve ser comparado com um bloco de vedação como se tivessem a mesma função. Da mesma forma, preço por unidade não informa custo da parede pronta. A comparação técnica precisa colocar sistemas equivalentes lado a lado e considerar projeto, logística, produtividade, desempenho e disponibilidade local.

Primeiro: compare paredes com a mesma função

Antes de discutir material, defina se a parede é estrutural ou de vedação. Em ambos os materiais existem soluções para funções distintas. Misturar função estrutural e vedação na mesma comparação distorce resistência, peso, custo e produtividade.

Sete perguntas para uma comparação útil

  1. A solução atende à função da parede e ao projeto estrutural ou de vedação?

  2. A família de componentes permite resolver modulação, encontros, vãos e detalhes sem cortes excessivos?

  3. Qual é o peso do sistema e como isso afeta transporte, movimentação, estrutura e fundação no projeto específico?

  4. Quais resultados de desempenho térmico, acústico, mecânico e de resistência ao fogo estão comprovados para o sistema de parede analisado?

  5. Como ficam instalações elétricas e hidráulicas: há peças e soluções compatíveis ou o canteiro dependerá de rasgos e adaptações?

  6. Qual é a disponibilidade regional do fabricante, da família de peças e da assistência técnica?

  7. Qual é o custo total da parede pronta, incluindo material, argamassa, mão de obra, perdas, movimentação, revestimentos, reforços, instalações e retrabalho?

Peso: por que o número isolado não resolve

Blocos cerâmicos podem ser mais leves em determinadas geometrias, enquanto blocos de concreto podem ter massas e resistências diferentes conforme a família. O impacto real não deve ser calculado apenas por peça. O projetista precisa analisar o peso da parede e sua participação no edifício, além das condições de transporte e movimentação no canteiro.

Desempenho térmico e acústico: compare sistemas ensaiados

É comum encontrar comparativos que atribuem desempenho térmico ou acústico ao material de forma absoluta. Na prática, o resultado depende da geometria do componente, espessura da parede, revestimentos, juntas, encontros e execução. Para uma decisão técnica, procure resultados de sistemas equivalentes e critérios da NBR 15575 quando aplicáveis ao desempenho da edificação.

Produtividade: o projeto pode valer mais que o material isolado

Uma família bem modulada, com paginação definida, componentes complementares e instalações compatibilizadas pode reduzir cortes, esperas e retrabalhos. Isso vale para diferentes sistemas. No caso da alvenaria cerâmica racionalizada, o potencial de produtividade aparece quando o bloco faz parte de um processo planejado, e não quando é simplesmente substituído peça a peça em um projeto concebido para outra solução.

Custo: compare a parede pronta

O menor preço por bloco não garante o menor custo por metro quadrado concluído. O orçamento precisa incorporar quantidade de peças, argamassa, graute e armaduras quando previstos, mão de obra, transporte, perdas, equipamentos, revestimentos, detalhes de vãos e interferências de instalações. Em projetos repetitivos, o efeito do planejamento pode se multiplicar; em obras pequenas, disponibilidade local e simplicidade logística podem pesar mais.

Sustentabilidade: evite comparar apenas um indicador

Carbono incorporado, consumo de água, energia de fabricação, transporte, perdas e desempenho na fase de uso podem fazer parte da avaliação ambiental. A melhor comparação é aquela que declara o escopo e as fontes. Dados de uma fábrica, de um produto ou de uma declaração ambiental não devem ser generalizados para todo o setor sem explicar o contexto.

Quando a alvenaria cerâmica racionalizada tende a fazer sentido

Ela ganha força quando o projeto pode trabalhar com modulação, família de componentes, compatibilização de instalações e controle de execução. Também se beneficia de fornecedores próximos, variedade de peças e equipe treinada.

A decisão correta é sistêmica

Bloco cerâmico e bloco de concreto podem participar de soluções tecnicamente adequadas. A decisão deve partir dos requisitos do empreendimento e chegar ao custo e desempenho da parede como sistema. Quando a comparação começa pelo preço da peça, ela ignora justamente o que mais afeta a obra: projeto, interfaces e execução.

Fontes técnicas

ANICER, conteúdo e manual de desempenho da cerâmica vermelha: https://www.anicer.com.br/

Pauluzzi, biblioteca técnica e sistemas de alvenaria: https://pauluzzi.com.br/

NBR 15270, requisitos de blocos e tijolos cerâmicos: https://buscadorsinapi.com.br/normas/nbr-15270-1-componentes-ceramicos-blocos-e-tijolos-para-alvenaria-parte-1-requisitos

Ler mais

Bloco cerâmico de furo vertical: tipos, usos e critérios para escolher corretamente

Entenda os tipos de bloco cerâmico de furo vertical, as diferenças entre vedação e estrutura e os critérios de projeto para especificar corretamente.

O bloco cerâmico de furo vertical não é uma única peça nem serve para uma única função. Existem componentes de vedação e componentes estruturais, geometrias diferentes e famílias de peças pensadas para trabalhar com modulação, encontros de paredes, vãos, instalações e reforços previstos em projeto. Por isso, escolher corretamente começa pela função da parede e pelo sistema construtivo, e não apenas pela aparência do bloco.

O que significa “furo vertical”

A expressão descreve a orientação dos vazados quando o componente está assentado na posição de uso. Essa geometria pode facilitar a coordenação modular e, em soluções compatíveis, permitir a passagem de instalações ou a execução de pontos grauteados e armados previstos pelo projeto. Mas a orientação dos furos, sozinha, não transforma qualquer bloco em bloco estrutural.

A classificação do produto, suas dimensões, propriedades físicas e mecânicas e os métodos de ensaio aplicáveis precisam estar de acordo com a especificação do empreendimento. A NBR 15270 trata dos requisitos e ensaios dos blocos e tijolos cerâmicos para alvenaria, enquanto a NBR 16868 organiza os critérios de projeto, execução, controle e ensaios da alvenaria estrutural.

Bloco de vedação com furo vertical e bloco estrutural não são a mesma coisa

Uma parede de vedação tem a função principal de fechar e separar ambientes. Ela precisa resistir às ações previstas para o sistema de vedação, mas não assume as cargas estruturais principais do edifício. Já na alvenaria estrutural, a parede participa do caminho das cargas e precisa ser dimensionada como parte da estrutura.

Regra simples para compras e obra: não substitua um bloco por outro apenas porque as dimensões externas parecem semelhantes. A função prevista no projeto, a família do componente e a documentação do produto precisam coincidir.

Seis critérios para especificar o bloco correto

  1. Confirme a função da parede. Antes de escolher o componente, defina se a parede é estrutural ou de vedação e quais ações o projeto considera.

  2. Confira a modulação. Largura, altura, comprimento e espessura das juntas precisam conversar com a paginação, os vãos e os encontros de paredes.

  3. Verifique a resistência e as propriedades exigidas. No caso estrutural, a resistência do bloco é um dado de entrada do projeto, não uma promessa isolada de desempenho da parede inteira.

  4. Olhe para a família de componentes. Meio bloco, peças de amarração, canaletas e outros elementos complementares podem evitar cortes e improvisos quando previstos corretamente.

  5. Compatibilize instalações. A posição de eletrodutos, tubulações, shafts e pontos de passagem deve ser resolvida antes da execução para reduzir rasgos e retrabalhos.

  6. Exija documentação e rastreabilidade. Identificação do produto, fabricante, lote, ficha técnica e comprovações previstas pelo empreendimento precisam chegar junto com a peça.

Por que a família de blocos importa tanto quanto o bloco principal

Uma obra racionalizada não se resolve escolhendo apenas a peça que ocupa a maior área da parede. Encontros, amarrações, vergas, contravergas, cintas e ajustes de modulação precisam de soluções compatíveis. Quando o projeto trabalha com uma família coerente, a equipe recebe instruções mais claras, o abastecimento do pavimento fica previsível e diminui a necessidade de “inventar” peças no canteiro.

Furo vertical significa melhor desempenho térmico e acústico?

Não é tecnicamente seguro responder apenas olhando para o formato dos vazados. O desempenho térmico e acústico pertence ao sistema de parede, que envolve geometria, espessura, revestimentos, juntas, encontros, execução e condições de ensaio. O caminho correto é consultar resultados de sistemas testados e a documentação técnica correspondente, em vez de transformar uma característica geométrica em promessa universal.

Erros que tiram a racionalização do papel

  • Comprar uma família diferente da que foi modulada no projeto.

  • Cortar blocos em obra para corrigir cotas que deveriam ter sido resolvidas na paginação.

  • Rasgar paredes para instalações que poderiam ter sido compatibilizadas antes.

  • Trocar componente estrutural por outro sem validação do projetista.

  • Aprovar um lote apenas pela aparência, sem verificar identificação, dimensões e documentação.

  • Generalizar desempenho térmico, acústico ou estrutural a partir de uma peça isolada.

Como transformar a escolha do bloco em uma decisão de projeto

O melhor momento para decidir a família de blocos é antes de o canteiro depender dela. Arquitetura, estrutura, instalações, paginação e abastecimento precisam conversar. Quando isso acontece, o componente deixa de ser apenas material de compra e passa a fazer parte de um processo construtivo planejado.

Para quem está especificando ou executando, a pergunta mais útil não é “qual bloco é melhor?”. A pergunta é: qual família atende à função da parede, à modulação, aos requisitos do projeto e às condições reais de fornecimento e execução?


Fontes técnicas

NBR 15270, requisitos e ensaios de componentes cerâmicos: https://buscadorsinapi.com.br/normas/nbr-15270-componentes-ceramicos-blocos-e-tijolos-para-alvenaria-parte-1-requisitos

CBIC, publicação da NBR 16868: https://cbic.org.br/novas-normas-de-alvenaria-estrutural-corrigem-antiga-distorcao/

Manual e conteúdos de desempenho da ANICER: https://www.anicer.com.br/

Ler mais